T2LNFDRNAR: como ler o código do relé fotocontrolador — e o laudo que deve acompanhá-lo
O relé fotocontrolador é o item mais barato do ponto de iluminação pública. Mesmo assim, é ele que decide quantas horas a luminária fica acesa por noite, e por quantos anos. Um relé que acende cedo, apaga tarde ou falha travado na posição ligado transforma economia de LED em desperdício silencioso, pago todos os meses na fatura de energia.
A Nota Técnica Dconf/Diqre nº 005/2017 do INMETRO, que analisou o impacto regulatório desses equipamentos, dimensiona o problema. Em estudo de laboratório de 2012, 59% das amostras foram reprovadas no ensaio de operação normal — mesmo avaliadas pelos limites mais amplos da edição de 1998 da norma. A nota estima que pelo menos 36% dos relés no mercado provavelmente desperdiçam energia. E, se todos os relés seguissem os parâmetros hoje fixados na NBR 5123:2016, cada ponto ficaria cerca de 70 horas a menos aceso por ano, o equivalente a 201,58 GWh anuais no parque nacional.
Enquanto isso, muitos termos de referência ainda descrevem o item como “relé fotoelétrico 1000 W bivolt”. Essa descrição não garante nada.
O que a ABNT NBR 5123:2016 mudou
A NBR 5123 estabelece os requisitos construtivos, de desempenho e os ensaios de relés fotocontroladores intercambiáveis e tomadas para iluminação. A edição de 2016 apertou três parâmetros centrais em relação à edição de 1998:
| Parâmetro | NBR 5123:1998 | NBR 5123:2016 |
|---|---|---|
| Acendimento | 3 a 20 lux | 5 a 15 lux |
| Desligamento | até 80 lux | até 30 lux |
| Durabilidade mínima | 5.000 comutações | 10.000 comutações (≈ 13,7 anos) |
O desligamento em até 30 lux é o ponto de maior impacto financeiro: o relé apaga a luminária mais cedo pela manhã, sem comprometer a segurança da via.
Como ler o código T2LNFDRNAR
Fichas técnicas de relés fotocontroladores adotam uma codificação que resume, em poucas letras, como o equipamento se comporta. O código T2LNFDRNAR se decompõe assim:
| Código | Característica | Significado |
|---|---|---|
| T2 | Tipo | Eletrônico multitensão |
| LN | Modo de operação | Liga à noite |
| FD | Modo de falha | Falha desligado (fail-off) |
| RN | Relação liga–desliga | Normal: liga entre 5 e 15 lux, desliga até 30 lux |
| AR | Tempo de resposta | Rápido: entre 0,5 s e 5 s |
Cada par de letras é uma decisão técnica verificável. Especificar o código completo no termo de referência elimina ambiguidade e dá ao fiscal do contrato um critério objetivo de aceitação.
As duas letras que mais pesam no custo: FD
Um relé que falha ligado mantém a luminária acesa 24 horas por dia até que alguém perceba. Segundo a mesma nota técnica do INMETRO, cerca de 60% do mercado adota esse modo de falha.
Um relé que falha desligado apaga a luminária. O ponto escuro é identificado na primeira ronda ou na primeira reclamação do morador. O defeito vira chamado de manutenção — e não desperdício invisível na conta de energia.
O que a sigla não mostra: acionamento na passagem por zero
O driver de uma luminária LED exige uma corrente de partida (in-rush) muito elevada no instante da energização. Esse pico desgasta os contatos do relé e reduz a vida útil do próprio driver.
Relés com acionamento sincronizado na passagem por zero fecham o contato apenas quando a senoide da tensão da rede cruza o zero volt, reduzindo significativamente a corrente de partida. Um relé T2LNFDRNAR com esse recurso, por exemplo, apresenta em laudos de laboratório:
- Durabilidade: ensaio conduzido até 40.000 ciclos em 3 amostras, com operação conforme após o ensaio.
- Surtos: impulso combinado de 10 kV aplicado em 4 amostras, nas condições claro e escuro, sem perda de desempenho.
- Consumo próprio: 0,7 W a 0,9 W medidos, abaixo do limite de 1,0 W da especificação de concessionária usada no ensaio.
- Vedação: ensaio de grau de proteção IP67 conforme ABNT NBR IEC 60529, sem ingresso de poeira ou água.
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Ver relés fotocontroladoresLaudo não é selo: o que conferir antes de aceitar
Exigir “laudo conforme NBR 5123” é necessário, mas não suficiente. Um laudo comprova apenas o que foi ensaiado, na amostra ensaiada, pela edição da norma indicada. Antes de aceitar a documentação, confira:
- Edição da norma. O laudo cita a NBR 5123:1998 ou a NBR 5123:2016? Os critérios de aceitação são diferentes: um relé que desliga com 60 lux passa na edição de 1998 e reprova na de 2016.
- Ensaios contratados. O quadro-resumo marca itens como “não contratado”? Um laudo pode trazer apenas um ou dois ensaios e, ainda assim, citar a norma no título.
- Resultado de cada grupo. Verifique se há itens “não conforme” e se existe laudo posterior demonstrando a correção.
- Acreditação do laboratório. Confirme a acreditação pela Cgcre/INMETRO segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025 e o escopo que cobre os ensaios apresentados.
- Valores medidos × ficha técnica. Compare o que o laudo mediu com o que o catálogo declara. Divergência é motivo de diligência.
Checklist para o termo de referência
- Código completo T2LNFDRNAR, ou justificativa técnica para configuração diferente.
- Conformidade com a ABNT NBR 5123:2016, comprovada por relatório de ensaio de laboratório acreditado, com indicação expressa da edição.
- Acendimento entre 5 e 15 lux e desligamento em até 30 lux.
- Modo de falha desligado (FD).
- Durabilidade mínima de 10.000 comutações.
- Consumo próprio máximo declarado e comprovado em ensaio.
- Nível de proteção contra surtos declarado e comprovado em ensaio.
- Acionamento na passagem por zero, recomendado para carga LED.
Conclusão
O relé custa pouco. Mal especificado, o custo aparece todo mês na fatura de energia e na rotina da manutenção. Dez letras no termo de referência e cinco perguntas ao laudo resolvem a maior parte do problema.
Referências: ABNT NBR 5123:2016 — Relé fotocontrolador intercambiável e tomada para iluminação — Especificação e ensaios; INMETRO, Nota Técnica Dconf/Diqre nº 005/2017 — Análise de Impacto Regulatório de Relés Fotocontroladores para Iluminação Pública; ABNT NBR IEC 60529:2005 — Graus de proteção para invólucros de equipamentos elétricos (código IP).